segunda-feira, 20 de junho de 2011

Conservador de direita, com muito orgulho



O cenário da cultura política tupiniquim é tão sombrio que palavras como "direitista", "conservador" e "reacionário" soam, pelas terras de Vera Cruz, como verdadeiros xingamentos. O horror que a ideia de um direitista causa no imaginário popular é tão veemente que até oposição faz questão de dizer, num claro golpe midiático, que está "à esquerda do governo". Essa situação é fruto do patrulhamento ideológico pelo qual passou a cultura brasileira desde que o esquerdistas tomaram as universidades e os editoriais dos jornais. Demonizar o adversário talvez tenha sido o meio que a esquerda achou de mitigar seus próprios crimes, haja vista ter ela em suas costas o peso da matança de 100 milhões de pessoas no século XX, constituindo esse crime a maior carnificina da história humana conhecida.

O que é, entretanto, ser um conservador de direita? Seria o conservadorismo uma doutrina tão maléfica a ponto de causar vergonha em quem possua a mínima tendência de aceitá-la?

Não existe, evidentemente, unidade absoluta no pensamento conservador, como não existe unidade em praticamente nenhuma tendência de pensamento humano. Podemos, outrossim, elencar algumas ideias comumente defendidas pela maioria dos conservadores, a fim de traçar um panorama geral do que seja um conservador de direita, categoria a qual pertenço com muito orgulho, diga-se de passagem.

Os tópicos a seguir não representam o pensamento de nenhum grupo conservador específico, e a única pessoa responsável por eles sou eu mesmo.

1. Os conservadores defendem, em geral, a moral judaico-cristã expressa nos Dez Mandamentos como modelo ético ideal para a sociedade. Isso não quer dizer, evidentemente, que todos os conservadores sejam santos e que pratiquem integralmente os Mandamentos da Lei de Deus: quer dizer apenas que reconhecem esse paradigma moral como norte comportamental ideal para a sociedade.

2. Creem os conservadores que o Direito não é fruto do consenso, mas da própria natureza humana. Acreditam por exemplo, como consequência disso, que o assassinato e o roubo são condenáveis não porque a maioria dos homens os julga condenáveis, mas porque são condenáveis em si mesmos, e que tais práticas ainda continuariam condenáveis mesmo que a maioria das pessoas defendesse o contrário.

3. Os conservadores de direita defendem as liberdades individuais, pois acreditam que o homem, feito livre à imagem e semelhança de Deus, não pode ser coagido exteriormente a fazer algo a que sua consciência se opõe. Não obstante, os conservadores defendem que que a liberdade humana tem por limitação o bem comum, por isso aceitam o jugo da lei e dos costumes estabelecidos legitimamente.

4. Os conservadores de direita defendem que a democracia verdadeira, que não se confunde que a demagogia atual, é uma boa forma de governo. Acreditam que a democracia pode viver em perfeita harmonia com a monarquia e com a aristocracia. Uma monarquia parlamentar talvez seja o modelo político de Estado preferido por considerável parcela dos conservadores, embora não haja unanimidade nenhuma nesse quesito.

5. Os conservadores defendem, em geral, que o Estado deve ser mínimo e que deve, consequentemente, interferir minimamente na vida dos indivíduos. Creem, por exemplo, que não é papel do Estado, mas das famílias e das associações de famílias (como Igrejas, Associações, etc), o provimento da educação e da formação dos jovens.

6. Na esteira do tópico anterior, os conservadores defendem, em maior ou menor grau, a liberdade econômica, isto é, a não intervenção do Estado em assuntos econômicos. Apoiam as privatizações e querem a diminuição da carga tributária, que geralmente consideram confiscatória. Acham, em maior ou menor grau, que o capitalismo e a meritocracia são uma forma justa de organização econômica da sociedade, e que o socialismo é uma abominação. Os conservadores estão no extremo oposto da tendência global de aumento da influência estatal nas sociedades.

7. Os conservadores se opõe veementemente à ação política revolucionária, que pretende reinventar completamente o mundo no qual vivemos, pela imposição vertical de um novo padrão de vida politicamente correto. Como exemplos de ação política revolucionária podemos citar o anti-tabagismo, o abortismo, o lobby homossexual, o ecologismo, os movimentos raciais de ação afirmativa, entre outros.

Muito sinteticamente, são essas as ideias defendidas pelos conservadores. Por causa delas somos demonizados e comparados aos nazistas e aos fascistas (quando, na verdade, esses dois movimentos revolucionários são co-irmãos ideológicos do comunismo...), somos excluídos do debate acadêmico (no Brasil particularmente), dos meios de comunicação, ridicularizados na mídia e enxotados da política. Em muitos países os conservadores são perseguidos politicamente, presos, torturados e mortos, como na China, na Coréia do Norte, em Cuba, na Venezuela.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Filosofia


O estudo da filosofia, mãe de todas as ciências, sabedoria propriamente humana por excelência, está cada vez mais abandonado e desprezado pelos contemporâneos. As pessoas (as inteligentes e informadas inclusas) nem sequer mais sabem o que é filosofia, qual seu objeto de estudo, qual seu método, qual se critério de verdade, etc. Por pura ignorância ou má-fé (ou pelas duas juntas), os modernos criaram o ridículo hábito de ligar o interesse pela filosofia à excentricidade, à perca de tempo, mesmo à loucura e ao non sense.

Nada mais reprovável, lamentável e digno de pena. A filosofia é absolutamente necessária à condição humana. É próprio do ser humano filosofar e é absolutamente impossível não fazê-lo, como já nos lembrava Aristóteles, no famoso paradoxo de que para concluir que a filosofia é desnecessária é preciso, antes, filosofar. Ninguém, nem o mais rudimentar dos homens, é capaz de viver sem alguma dose de especulação filosófica.

O que aconteceu nos dias atuais não foi a extinção da filosofia, mas o desprezo e a consequente completa ignorância sobre a mais excelsa das ciências propriamente humanas. Quase ninguém estuda filosofia, nem procura realizar qualquer tipo de contemplação filosófica, quer pelo simples ato de refletir detidamente em alguma das questões propostas pela filosofia, quer pela leitura dos clássicos do pensamento filosófico. Quando se distanciam do verdadeiro saber filosófico, as pessoas (mesmo as mais inteligentes) tendem a aceitar, de modo irrefletido, qualquer besteira que lhes aparece pela frente. A falta de conhecimento filosófico impõe aos que desse mal sofrem a aceitação das “filosofias” mais estúpidas, irracionais, repugnantes à razão humana. É uma lástima ver pessoas inteligentíssimas, por pura ignorância filosófica, completamente incapazes de compreender as questões mais simples, fazer as distinções mais triviais, trabalhar mentalmente com os conceitos mais básicos. A inaptidão de se especular filosoficamente inutiliza qualquer discussão ou debate sobre alguns dos problemas filosóficos mais elementares, e o corolário imediato disso é a falta de defesa e a consequente aceitação das teorias mais aviltantes ao intelecto humano.

O desapreço pelo saber filosófico condena o homem à superstição, sendo paradoxal (e, em certo grau, engraçadíssimo) que os contemporâneos, enfeitiçados pelo progresso da Técnica (que não se confunde com a Ciência) se julguem extremamente “racionais”, quando na verdade são uma horda de selvagens intelectuais e semianalfabetos.

A quem desejar ordenar a própria inteligência impõe-se, pois, o dever estudar filosofia e de refletir serenamente, com isenção e sem preconceitos, sobre os problemas filosóficos.. Conhecer um pouco de filosofia é necessário a todos os homens instruídos, e é uma tarefa dura, que exige leitura, reflexão, e muita humildade de reconhecer a própria ignorância. Recomendo dois livros para os inciantes (não só para os iniciantes; eu, que estudo filosofia auto-didaticamente há mais de cinco anos, estou sempre relendo essas duas joias)

Aristóteles Para Todos, de Mortimer Adler (editado recentemente no Brasil. Pode ser comprado aqui)

Introdução Geral à Filosofia, de Jaques Maritain (sem edições novas. Pode ser comprado em sebos aqui)


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Quem é mais vencedor?


Já escrevi sobre a rivalidade entre o Gigante da Colina e a Mulambada em um post anterior (aqui). Depois desse post, não tinha mais o que falar sobre esse tema, mas uma conversa, via Twitter, com o amigo molambeiro Waguinho me inspirou a escrever mais algumas linhas.

O amigo Waguinho, filho do ilustre cruzmaltino Válter, sapecou no microblogue que a comparação dos títulos entre Vasco e Flamengo seria "de dar dó" (do Vasco, na opinião dele, claro). O nobre colega possui um amor notável pelo molambo avepretense, amor esse que se compara em tamanho ao seu desconhecimento da história do futebol brasileiro, sobretudo da história do Gigante da Colina histórica de São Januário. A comparação desapaixonada dos títulos de Vasco e Flamengo mostra que o Vasco é superior nas conquistas de maior importância, como veremos a seguir.

Antes de entrar no tema, contudo, uma breve digressão. Vivemos em tempos sombrios, onde os fatos históricos facilmente são esquecidos e os mitos ganham foro de verdades inquestionáveis. A opinião pública é manipulada pela mídia, e os alienados de plantão limitam-se em repetir automaticamente o que engoliram, sem refletir. O mito, todavia, não é a verdade. Os fatos históricos são verificáveis, e sua evidência se impõe, imperosa, aos que não colocam a paixão cega acima do amor pela verdade. A história do Flamengo está povoada de mitos fabricados pela mídia, sem nenhuma relação com a realidade. Dizem, por exemplo, que o Flamengo "é o time do povo" quando, na verdade, ele é, junto com Fluminense e Botafogo, o time da elite arrogante que não permitia negros e operários jogarem em seus quadros. O Vasco é que é o time do povo, que quebrou esse ranço racista no futebol tupiniquim e que foi perseguido por isso, sendo inclusive expulso da Federação Carioca pelos outros três grandes. Outros tantos mitos são espalhados pela mídia avepretense, notadamente pelos escroques da família Marinho, acerca da história do Flamengo, como esse agora repetido pelo nobre amigo Waguinho, de que na comparação dos títulos entre Vasco e Flamengo, os molambos levariam esmagadora vantagem.

Vamos aos fatos.

Abaixo os títulos de peso da história do Flamengo:

- 32 campeonatos cariocas;
- 5 e ½ campeonatos brasileiros (o título de 1987 foi "divido", no tapetão, com o Sport);
- 1 Torneio Rio-São Paulo;
- 2 Copas do Brasil;
- 1 Copa Libertadores;
- 1 Copa Intercontinental (chamada de "Mundial Interclubes" pelos brasileiros);
- 1 Copa Mercosul.

Agora, os títulos do Vasco da Gama:

- 22 campeonatos cariocas;
- 4 campeonatos brasileiros;
- 3 Torneios Rio-São Paulo;
- 1 Copa Mercosul;
- 1 Copa Libertadores da América;
- 1 Campeonato Sul-americano (equiparado à Libertadores pela CONMENBOL em 1997);
- 1 Copa Rio Interclubes (1953) (equiparável à Copa Intercontinental);
- 1 Torneio Internacional de Paris (1957) (equiparável à Copa Intercontinental).

Sobre o Campeonato Carioca, uma consideração precisa ser feita, para que a comparação se torne justa: o Vasco passou a disputar o Carioca apenas em 1923 (aliás, venceu o caneco na estreia!), quando já haviam sido disputadas 17 edições do Estadual do Rio. Para que haja justiça na comparação desse título específico, é preciso usar o critério da proporcionalidade, pelo qual as duas equipes se encontram no mesmo patamar. A vantagem de títulos da Mulambada é, pois, meramente nominal, e não real.

Feita essa ressalva, comparando o resto dos títulos, temos que o Vasco tem a menos que o Flamengo:

- 2 Copas do Brasil (no momento que escrevo, o Vasco está prestes a disputar uma final de Copa do Brasil, sendo franco favorito ao título, podendo diminuir essa desvantagem);
- e 1 e ½ Campeonatos Brasileiros.

Na comparação de todos os outros títulos o Vasco leva vantagem. Temos a mais que o Flamengo:

- 1 Libertadores;
- 1 "Mundial";
- 2 Rio-São Paulos.

Considerando o peso dos títulos internacionais, salta aos olhos a evidência de que as conquistas cruzmaltinas superam aos do Flamengo em relevância, e em muito. Se essa comparação causa algum dó, não é do Vasco, certamente.

Certamente os molambeiros irão chiar pelos dois "mundiais" do Vasco, e talvez até tenham a pachorra de questionar o título Sul-americano de 1948. Algumas palavrinhas a esse respeito:

O Vasco foi o primeiro campeão de um torneio interclubes em nível continental da história do futebol, que foi o Campeonato Sul-americano de 1948, vencida de forma invicta pelo Gigante da Colina. Essa glória da história vascaína (ao meu ver a nossa maior glória), já foi devidamente reconhecida pela CONMENBOL, que equiparou o título à Copa Libertadores da América em 1997.

Sobre os títulos "Mundiais" do Vasco, é preciso deixar bem claro que nunca houve propriamente um "Mundial de Clubes" até o ano 2000, quando a FIFA organizou a primeira Copa do Mundo de Clubes. Antes, houve torneios envolvendo as principais equipes do mundo na temporada. Sobretudo aqui no Brasil, essas disputadas eram consideradas como “Mundiais Interclubes”. Eu considero esse sentimento brasileiro inteiramente válido. Considero a Copa Intercontinental um verdadeiro Mundial Interclubes, pois reunia os campeões dos dois continentes onde o futebol é jogado em alto nível. Eu mesmo torci e sofri bastante quando da derrota do Vasco para o Real Madrid em 1998 (jogo aliás pelo qual tenho um carinho imenso, pois o Gigante da Colina jogou como um verdadeiro Campeão do Mundo, perdendo injustamente). Outrossim, antes da Copa Intercontinental, houve alguns torneios que também envolveram os grandes times do Planeta Bola, e que são totalmente equiparáveis tanto à Copa Intercontinental quando à Copa do Mundo de Clubes da FIFA. E duas edições desses torneios foram vencidas pelo Clube de Regatas Vasco da Gama.

O Vasco foi campeão invicto da Copa Rio Interclubes em 1953, em cima do São Paulo, vencendo os dois jogos disputados em São Paulo e no Rio de Janeiro. E o Vasco foi campeão do Torneio Internacional de Paris de 1957, disputado por quatro equipes da Europa e da América do Sul. A final foi contra o Real Madrid, o time de um tal Di Stétano, que foi batido pelo Gigante da Colina por 4 x 3. Matéria sobre a final pode ser vista no vídeo que segue:



Vale ressaltar que Palmeiras, campeão da Copa Rio Interclubes em 1951, entrou com um pedido de reconhecimento desse título como mundial. O Vasco venceu o mesmo torneio em 1953 e, feito um dia esse reconhecimento, teríamos automaticamente um dos nossos títulos mundiais reconhecido.

Note-se bem que A FIFA também não reconhece como títulos mundiais os títulos da Copa Intercontinental, de modo que se fôssemos analisar quem é campeão mundial pelo critério "reconhecimento da FIFA", o Flamengo também não o seria. Os títulos no futebol, no entanto, são jogados e vencidos no gramado, e não nos escritórios dos burocratas das federações. O Flamengo é campeão do mundo sim, tendo vencido a arrogância dos ingleses do Liverpool em 1981. Mas o Vasco, meu querido e vencedor Clube de Regatas Vasco da Gama, o glorioso Campeão de Terra, Mar e Areia, foi Campeão do Mundo não uma, mas DUAS vezes.

Saudações Vascaínas a todos!

Sérgio Meneses


Vasco Campeão Mundial de 1953 (Copa Rio Interclubes)


Vasco Campeão Mundial de 1957 (Torneio Internacional de Paris)


Vasco Primeiro Campeão Sul-americano invicto de 1948






quinta-feira, 19 de maio de 2011

O problema do mal



Algumas pessoas sinceras (outras nem tão sinceras) fazem os seguintes questionamentos:

Se Deus criou tudo e é infinitamente bom, como pode existir o mal?

Deus teria criado o mal?

Mas, sendo infinitamente bom, Deus poderia ter criado o mal?

São questões importantes, que não podem ser negligenciadas. Esses problemas já foram tratados e resolvidos pelos filósofos cristãos, notadamente por Santo Agostinho, bispo de Hipona Régia, que viveu no século IV d.c, em seu livro De libero arbitrio.

A explicação para esse problema é relativamente simples e pode ser compreendida por qualquer pessoa que esteja realmente interessada em conhecer e não somente em obter subterfúgios contra a atitude religiosa.

A resposta é que o mal não existe propriamente, não existe enquanto ser. O mal não existe substancialmente, mas acidentalmente. O mal é privação de bem.

Essa definição pode ser melhor compreendida com algumas analogias: o escuro, assim como o mal, não existe enquanto ser, mas é privação de luz. O frio também não existe substancialmente: é mera privação de calor. Um buraco não existe propriamente (ninguém pode pegar em um buraco...): o buraco é a ausência de alguma coisa.

Assim, da mesma forma que os exemplos acima mencionados, o mal não tem ser: ele existe, mas apenas como privação de bem. Enquanto mais os seres se afastam do bem, mais eles são maus, não porque sejam em si mesmo maus, mas porque estão afastado do bem.

Fica assim, portanto, explicado a questão da existência do mal.

Outra pergunta, contudo, poderia ainda restar: por que Deus, então, permite que haja o mal? Por que Ele permite que os seres se afastem do bem? Essa é também uma questão interessante, mas fica para outro post.

terça-feira, 17 de maio de 2011

The Big Brother is watching you



Cuidado, o Grande Irmão o observa, constantemente!

É inútil tentar escapar dele.

Ele está em todo lugar.

Ele sabe o que você diz.

Ele sabe o que você faz.

Ele não quer que você pense.

Ele odeia quem pensa.

Ele quer pensar por você.

“Repita meus slogans”, diz o Grande Irmão.

“Engula minhas contradições”, exige o Grande Irmão.

“Faça o que eu digo! Você não será feliz de outro modo!”, ameça o Grande Irmão.

“Você não vai seguir meus conselhos? Mas todos seguem o que eu digo! Não adianta fugir do meu jugo...!”, ironiza o Grande Irmão.

Não, Grande Irmão, você é um mentiroso.

Não são todos.

Somente os tolos.

Eles podem ser maioria, mas há ainda uns poucos que resistem.

E minha alma não está à venda.

Eu não negocio minha consciência.

Eu não aceito as trinta moedas.

Você não vai me derrotar, como não derrotou Thomas More.

Você manda em tudo que está fora de mim. Mas no meu interior, mando eu.

E lá no meu interior, lá no recôndito mais insondável do meu ser, lá você não manda. Lá mando eu.

Aqui fora, você tem vantagem. Lá, não. Lá a vantagem é minha. Aqui fora, a mentira é uma arma poderosa. Lá a verdade que é forte, temível como um exército em ordem de batalha.

No final das constas, Grande Irmão, você é um derrotado. Enquanto uma única consciência resistir, você será sempre um derrotado.

E no Fim, sua derrota será manifestada.

E todos verão.

E os que resistiram zombarão de você. E dos que o serviram.

E a liberdade virá.

Para sempre.

domingo, 15 de maio de 2011

O mito do progresso


Se há um mito tomado por verdade pela maioria dos contemporâneos é o mito do progresso. Segundo esse mito, o homem vive em constante evolução, e tudo se torna "melhor" com o passar do tempo. Segundo o mito do progresso, o pensamento e o modo de vida dos antigos é considerado obsoleto, tido como ultrapassado. O que é novo que é bom, por ser novo.

Trata-se de uma tolice, pura e simples. As coisas não são boas ou más por serem antigas ou novas. Havia coisas boas no passado, como também havia coisas censuráveis. Também no presente há coisas boas e más. Na história do homem ocidental, vários absurdos que haviam deixado de existir foram revividos, e muitos males nunca sequer imaginados antes foram criados, indicando que não vivemos em constante evolução coisíssima nenhuma. A escravidão, largamente aceita na Idade Antiga e que foi abolida e condenada na Idade Média, voltou a existir na Idade Moderna. A opressão do Estado em altíssimo grau sobre os indivíduos, que nunca havia existido em época nenhuma da história humana, passou a existir em nosso tempo. As guerras do passado nunca foram tão mortais e sanguinárias com as horríveis guerras do século XX. E isso só para citar alguns poucos exemplos, porque uma lista de fatos demonstrativos de que a noção de "progresso" é completamente falsa seria enorme para as intenções desse breve post.

Acreditar nesse tolo mito do progresso é uma besteira sem limite. É lastimável e ao mesmo tempo sintomático da decadência de nossa civilização que tal asneira seja tão largamente aceita. Qualquer pessoa perspicaz poderia facilmente concluir que os últimos séculos da história ocidental trouxeram pouca evolução e muita regressão, de tal modo ideias perniciosas ganharam vida depois da Revolução Francesa. Nunca em nossa história a liberdade humana esteve tão limitada, nunca houve uma instituição tão opressora quanto o Estado moderno, nunca o povo foi tão massificado e controlado pelo patrulhamento ideológico de uma pequena elite.

O "progresso", como entendem os cultuadores do Mundo Moderno, não existe. A história humana é a vacilante história de uma espécie caída, que hora pende para o bem, hora para o mal, uma história onde a virtude e o vício se misturam numa inextrincável novela na qual seus atores dificilmente assumem papéis inequívocos e em cuja trama o heroísmo e canalhice não são propriedade de nenhum momento particular.